Seguem os playoffs e as disputas
têm sido mais emocionantes que as da primeira rodada. Depois do curioso fato de
todos os confrontos terem empatado em 1 a 1, o jogo pegou no breu e três séries
já foram resolvidas: Miami abateu os Bulls, os Grizzlies mandaram Oklahoma de
volta para casa e os homens dos Spurs silenciaram os meninos dos Warriors.

Miami e Chicago: depois de um
primeiro jogo inacreditável por parte dos Bulls, o Heat retomou as rédeas da
disputa e fez o que era esperado: atropelou os Bulls. Aliás, atropelar é pouco,
porque o Miami tocou a Balada da Arrasada, da Ângela Rô Rô, para Tom Thibodeau
e companhia: “Arrasada,
acabada, maltratada, torturada/ Desprezada, liquidada, sem estrada pra fugir/
Tenho pena da pequena que no amor foi se iludir”. Os Bulls são a pequena que
foi se iludir no basquete do jogo 1. Os números falam por si: 4 a 1 para o Heat,
com direito a maior vantagem imposta pelo time num jogo de playoff, ao mesmo
tempo em que o Chicago teve a sua pior derrota em uma pós-temporada, tudo isso
na segunda partida.
O jogo 3 teve momentos de UFC e só faltou o Bruce
Buffer dizendo: “We are live from Chicago, Illinois!”. No primeiro tempo, três
faltas técnicas e uma expulsão. Nazr Mohammed foi embora mais cedo por tentar
finalizar LeBron James com uma queda misturando técnicas de judô e do modo
Zangief, em Street Fighter. No resultado final, dez pontos de vantagem para
Miami e os jogadores de Chicago extenuados pela maratona, já que mal foram
substituídos devido à ausência de um banco de reservas minimamente decente.
Para completar a Balada da Arrasada de Chicago, faltava
uma surra de toalha molhada em casa: 88 a 65 para Miami. Recorde negativo dos
Bulls, que nunca haviam pontuado tão pouco em um jogo de playoffs: apenas 25%
de aproveitamento nos arremessos de quadra. Os Bulls foram tão mal no ataque
que me deixaram a impressão de que se eu estivesse em quadra, teríamos pontuado
mais. Nos arremessos de 3 pontos, a média foi de 11%. Os Bulls fizeram apenas
nove (9, IX, nine, nueve, neuf, neun) pontos no 3º quarto. Ridículo, risível,
momento vergonha alheia da temporada. No último jogo, bem mais disputado, o
Miami encontrou mais dificuldades, no entanto isso não o impediu de abater o
touro cansado.
Nesta série, o Chicago fez seus torcedores lembrarem-se
daqueles momentos do boxe em que um lutador é nocauteado em pé, em que cada
soco reforça o massacre, mas o lutador se recusa a cair, as pernas o sustentam
inconsciente, incapaz de se deixar ir à lona. Esta é a hora em que mesmo o espectador
mais apaixonado torce para que o lutador simplesmente deite-se, peça para parar
ou que o corner jogue a toalha.
Melhor assim: vencer mais um jogo teria prorrogado uma agonia desnecessária.
Do lado Oeste, Oklahoma City
Thunder tocou “O Exército de Um Homem Só” e Kevin Durant, sem Westbrook, foi
incapaz de parar a ótima surpresa do Memphis Grizzlies, terra de Elvis Presley.
A série teve placares apertados (a maior vantagem em uma partida foi de 6
pontos), mas terminou em um sonoro 4 a 1 para os Grizzlies de Zach Randolph.
Assim como o Miami, o Memphis perdeu o primeiro jogo, depois emendou quatro
vitórias seguidas e desligou os amplificadores de OKC: o sonho de ser campeão
foi posto em espera novamente. Desta vez, talvez para sempre: OKC conseguirá
vir mais forte para a próxima temporada e brigar novamente pelo título? Não
creio, infelizmente.
Os Grizzlies reforçaram o velho
clichê “basquete é um esporte coletivo” e venceram pelo time que têm: bons
jogadores, elenco equilibrado e sem superestrelas, como era Ruddy Gay,
dispensado pelo time pouco antes dos playoffs e que me fez pensar que os
Grizzlies estavam abrindo mão da disputa pelo título. Ledo engando: sem Gay, o
time passou a jogar de maneira mais equilibrada e coesa, chegando às finais de
conferência com status de cachorro grande.

Ainda no Oeste, o San Antonio
Spurs venceu o Golden State Warriors: 4 a 2, numa série tão bem disputada
que mereceria um jogo 7. Mas os playoffs separam mesmo homens de meninos, e
não há como não recorrer ao clichê que Michael Jordan nos legou. Os Spurs
pareciam Johnny Cash duelando com Justin Bieber. Stephen Curry, armador dos
Warriors, fincou seu nome no basquete: é um jogador para o futuro já no
presente. Não sei se o Golden State tem planos de ser campeão da NBA, o que
demanda muito dinheiro e planejamento extensivo. Mas se a resposta for
afirmativa, este é um bom começo. Para os lados de San Antonio, sem novidades:
o power trio Parker/Ginobili/Duncan funcionou como sempre e Greg Poppovich, o
general, sempre capaz de comandar como um maestro. Certamente, os Grizzlies
darão trabalho para os Spurs na próxima rodada, mas ainda assim, aposto nos
Spurs. No entanto, isso é conversa para a próxima vez em que a bola subir. Por hoje,
é só.